Israel, Ontem e Hoje

É hoje lançado o volume colectivo Israel, Ontem e Hoje (Difel). Um livro que nos lembra que Israel, para o mal e para o bem, é um país concreto, e não uma entidade abstracta, como às vezes aparece nalguns discursos. Pedimos uma brevíssima apresentação a uma dos dois organizadores desta edição, a investigadora em assuntos judaicos Esther Mucznik, a quem agradecemos.

Em Portugal, raros são os livros que se debruçam sobre Israel, o país real. Para grande parte da população, Israel é feito de tanques, de soldados sem rosto ou então explorando o lado «folclórico» dos religiosos ortodoxos. O rosto humano é normalmente reservado aos palestinianos, a cujo sofrimento os media concentram uma atenção inesgotável e unilateral. A ideia de fazer este livro surgiu precisamente desta lacuna: pretendemos dar a conhecer alguns aspectos da sociedade israelita, que não se limitem ao conflito israelo-palestiniano. Assim são abordadas questões como Israel na antiguidade e a importância de Jerusalém, a génese do sionismo e a formação do Estado, as relações entre o Estado, a religião e a minoria árabe, a diáspora judaica, e a expulsão das comunidades judaicas dos países árabes, as relações com a Europa, a América e o Vaticano. Para isso, solicitámos a alguns dos melhores e mais conceituados especialistas israelitas e portugueses o seu testemunho, a sua visão e reflexão sobre Israel. Neste ano em que se comemora o 30º aniversário de estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e Israel, esperamos que este livro contribua para um melhor conhecimento da realidade.

A votação

Perguntámos aos leitores do Gattopardo que opinião têm sobre o «Tratado de Lisboa». Chegados aos mil votos (994, na verdade), eis os resultados:

  1. Inevitável: 29 % (292 votos) 
  2. Contestável: 28 % (278 votos) 
  3. Aceitável: 20 % (195 votos) 
  4. Inaceitável: 14 % (138 votos)
  5. Admirável: 9% (91 votos)

Sobre as tendências do nosso e-leitorado, damos a palavra ao politólogo Pedro Magalhães, director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, cuja colaboração agradecemos.

O Instituto de Sondagens Político-Eleitorais do Principado de Lampedusa resolveu conduzir uma sondagem online sobre o Tratado de Lisboa. Tal como sucede com todas as sondagens online de participação voluntária, esta também diz mais sobre os autores do que sobre outra coisa qualquer. O facto das opções de resposta serem oferecidas em rima - ideia que tenho vindo a ponderar para as sondagens da Católica - é um primeiro sinal. Depois vêm os próprios resultados, consequência do perfil dos leitores do blogue e logo, de alguma forma, espelho dos autores: a tendencial recusa das opções extremas (”Admirável” ou “Inaceitável”) e a distribuição mais ou menos equitativa pelas opções restantes. Mas o melhor de tudo é mesmo o facto das opções de resposta oferecidas aos votantes não serem sequer mutuamente exclusivas. É um erro elementar na construção dum questionário, claro. Mas é acerto elementar em, digamos, tudo o resto. Aliás, foi isso que sempre gostei nos responsáveis deste instituto: para eles, as opções de resposta nunca são mutuamente exclusivas. Acho até que Pascal tinha uma frase boa sobre este assunto (e sobre todos os outros, de resto).  

Gattopardo é um blogue sobre política.
Gattopardo não representa ninguém nem presta contas.
Gattopardo não tem as quotas em dia nem pretende.
Gattopardo estuda com fé e realiza com dúvida.
Gattopardo usa consoante dobrada porque é italiano.
Gattopardo é tão depressa leopardo como gato pardo.
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Gattopardo não está de acordo com quem concorda connosco.

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E tutti quanti, gattopardi, sciacalli e pecore, continueremo a crederci il sale della terra.

Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Il Gattopardo, 1958